31 dez 2007

DECISÕES PARA O ANO NOVO

Vocês já sabem: fim de ano tem tudo a ver com tradição. E aqui no Kibe Loco, apesar do ritmo de férias, as últimas horas do ano servem para decidirmos tudo aquilo que há de se cumprir nos próximos 365… digo… 366 dias (2008 é bissexto!). E, bem, nada melhor que fazê-lo por escrito. É o que vale. Alguém decidiu assim.

Portanto, decidi que vou fazer o programa mais incrível da história da TV. E que serei mais líder de audiência que jogo do Brasil… digo, do Flamengo e muito bem-vindo pela crítica. E decidi que, apesar disso, não vou fazer pose desconfortável para a “Caras” ou dizer para um programa de fofocas que “Fulano é um fofo” ou que “Beltrana é superquerida”.

Decidi que meu livro vai enfim sair do teclado e ganhar as prateleiras. Que vai conter diálogos mais elaborados que os de Aldous Huxley, mais espontâneos que os de J. D. Salinger, mais gozados que os da Bruna Surfistinha e, ao contrário dos escritos pelo Paulo Coelho, serão em português. E decidi que essa obra vai me dar o Nobel, além de uma cadeira extra colocada na ABL especialmente para mim. Na cabeceira, é lógico. E ainda serei o primeiro “imortal” a usar o fardão de verão, com direito a bermuda, mangas curtas e, claro, havaianas. Só não serei o primeiro a comer bolo de rolo com Coca-Cola porque o Marcos Vilaça já fez isso.

Decidi que durante minha entrevista no Letterman, responderei: “Hemingway who?”. E para o : “Com licença. Sou eu quem está falando”. E para a Luciana Gimenez… não, melhor não ir na Luciana Gimenez.

Decidi que meus desenhos serão descobertos por um olheiro à Andy Warhol, e que os museus de todo o mundo retirarão os quadros do Lichtenstein das paredes para que dêem lugares aos meus.

Decidi reinventar todas as teorias a respeito de buracos-negros e provar cada uma delas, fazendo Stephen Hawking saltar de sua cadeira. Aliás, provar que o Stephen Hawking não precisa de uma cadeira vai me render um Pulitzer.

Decidi pensar novos pensamentos, daqueles que fariam Platão desejar sua caverna e Kierkergaard repensar seu “conceito de ironia”.

Decidi que vou ganhar a Medalha Fields, apesar de minhas semelhanças com John Nash se limitarem a ver o que (ou quem) não está lá (ah! e Báskara não é uma dessas pessoas).

Decidi que vou ser igual ao Brad Pitt. Fisicamente, quero dizer. Ainda que pra isso tenha que passar por uma breve cirurgia plástica.

(Ok, talvez não tão breve.)

Decidi que, financeiramente, vou bater Bill Gates. E com esse dinheiro, farei coisas mais excêntricas que apenas inserir joguinhos secretos nas planilhas do Excel. Ou seja, decidi que construirei uma casa em Tahiti Beach e que nela promoverei festas com Pixies ao vivo, Tiësto e Paul Van Dyk estapeando-se pelo controle das mesas e pocket show da Preta Gil para meus desafetos.

Mas apesar dessa casa, decidi que Zaha Hadid vai se oferecer para projetar outra para mim. E decidi que vou aceitar.

Decidi que, graças a um curso de teatro, serei contratado para a próxima franquia de sucesso. Acima de todos os “Batman”, “Homem-Aranha” e “Harry Potters” que estão por aí. Decidi que, como escritor vencedor do Nobel, vou dar palpites no roteiro e tornar o filme de estréia o mais cotado para o Oscar. E que Charlie Kaufman vai me pedir uma dica ou outra para o seu próprio. Com isso vou ganhar as estatuetas de Melhor Ator e, claro, Roteirista (se bem que essas, só na cerimônia de 2009).

Ah, claro: minha campanha para o lançamento do blockbuster receberá um Leão de Titânio em Cannes.

Decidi que Liv Tyler será minha amante. E/ou a Victoria Silvstedt. E/ou a Linda Fiorentino. E/ou a Monica Bellucci. E/ou a Lara Flynn Boyle. E/ou a Paola Oliveira. E/ou a Fernanda Lima. E/ou a Carol Castro. Não só essas. Não necessariamente nessa ordem. Não necessariamente uma de cada vez. E decidi que o amor delas por mim será sincero.

Se não for, comprarei um que seja.

Decidi que meu poder de persuasão será tanto, que não vai subir ninguém. Nem o Capitão Nascimento. Que aliás, me pediu para sair. Frouxo…

Decidi que vou descobrir o moto-contínuo, a cura do câncer, da AIDS e a solução para acabar com a fome na África, no Brasil e onde mais houver. Que um de meus discursos selará a paz entre judeus e palestinos. Entre gregos e troianos. Entre Courtney Love, Chris Novoselic e Dave Grohl. Entre João Gordo e Dado Dolabella, que aliás, se casarão no meio do ano. Eu disse “meio do ano”, ok?

Também decidi que vou encontrar Osama Bin Laden, descobrir o criador das “bonecas da morte” e achar a ilha para onde foram Elvis, Ulysses Guimarães, James Brown, Jack, Kate, Sawyer, Hurley, Locke, Sayid e, claro, a pequena Madeleine. O Rodrigo Santoro continuará enterrado.

Decidi que vou começar um negócio numa área inovadora, nunca imaginada, que vai fazer o YouTube parecer artesanato hippie. E se você não faz ideia do que estou falando, é sinal de que estou no caminho certo.

Enfim… não sei o que você decidiu fazer em 2008, mas ao que parece, ser meu amigo pode ser uma grande idéia.

Feliz Ano Novo!!! E mesmo que você saiba que não vai poder realizar tudo que deseja a partir de 1 de janeiro, pelo menos tome as decisões corretas.

O texto acima é adaptado de um presente do meu grande amigo Renato Alt, um dos caras mais talentosos com quem já tive a honra de trabalhar.

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