27 set 2008

MORENA DE ANGOLA (PARTE 2)

Como ex-colônias de Portugal, Angola e Brasil nutrem algumas semelhanças entre si: língua; burocracia; culinária; burocracia; corrupção; burocracia e, claro, burocracia. Há também a coincidência nos nomes dados a ruas, parques e praças. Personagens da época da monarquia, como Dom Pedro, Dom João e Vasco da Gama são tão fáceis de encontrar nas esquinas de cidades brasileiras como aqui em Luanda.

Há no entanto, uma rainha que, apesar de desconhecida para mim, é bastante popular entre os angolanos. Chama-se Rainha Ginga.

Aqui, Rainha Ginga é nome de rua, mercado, farmácia, restaurante, pousada e até barraquinha de telefone (sim… aqui existem ambulantes que alugam os próprios celulares, uma vez que quase não existem telefones públicos pela cidade).

Enfim, é tanta Rainha Ginga, que passei a me questionar sobre ela. Quem teria sido Rainha Ginga? Rainha Ginga teria sido da nobreza colonial? Rainha Ginga teria sido uma autoridade tribal? Rainha Ginga teria sido a “Princesa Isabel” deles? Rainha Ginga seria uma divindade? Rainha Ginga seria uma expressão como “Santa Paciência”? De novo: quem teria sido Rainha Ginga?

Rainha Ginga indo, Rainha Ginga vindo, a curiosidade aumentando e… não resisti. Abordei nosso guia com a tão esperada pergunta:

– Quem foi Rainha Ginga?

E ele, sem titubear e com uma naturalidade invejável, respondeu:

– Foi uma rainha.

E então percebi que os angolanos não são tão burocratas, afinal.

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